Elton, o Piá Benício, por Nico Fagundes.

Da série “Gaúchos e Gaúchas de Todas as Querências” 5: Elton, o Piá Benício.

A vida de Elton Saldanha daria um romance. Ou melhor, uma mini-série da Globo, onde não faltam muitas aventuras, peleias, muita música e amor.

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Elton Benício Escobar Saldanha, descendente de famílias nobres pelos dois lados, nasceu no bairro da Chácara, que era uma grande propriedade da família Escobar onde terminava Itaqui e começava o mundo apertado entre dois rios, o Ibicuí e o Uruguai, vivas e nostálgicas impressões que marcaram o Piá para sempre desde a infância. Do privilegiado observatório da janela do bolicho do pai o Elton viu peleias inenarráveis, sangue e morte por todos os lados. O pai mesmo, um trabuzana, matou numa peleia de tiros e facadas um valentão na frente do menino Elton… E de uma vez escorou o próprio filho adolescente no bico de um trinta e oito engasgado de bala!
Mas o Piá não era santo. Antes pelo contrário. Quando guri aprendeu a esquilar, a trançar, a colher arroz de foice, a montar. Nos rios da infância tornou-se um grande nadador. Na periferia da cidade foi um juvenil de futuro nos times de futebol até quebrar a perna com fratura exposta numa disputa feia. Mas até hoje joga futebol muito bem, nada como um campeão e é um semi-deus a cavalo. eltonsaldanha_pia-benicio
Desde guri descobriu os segredos das cordas do violão e a secreta intimidade de gaúchos andarengos, tocadores de violão, contadores de causos que incendiavam a sua admiração. Na adolescência, com o violão batendo como um coração fora do peito, meteu-se nos ranchos do chinaredo e descobriu um estranho paraíso violento e passional. Fascinado pelo exército, a dura realidade da caserna nesses tempos de ditadura militar chocou-o de tal sorte que depois de poucos meses conseguiu largar a farda por excesso de contingente. Moço feito, cantor e compositor de sucesso, veio para Porto Alegre trazido por Juarez Bittencourt e não parou mais de acumular prêmios e troféus. E amores. Tem dezoito discos gravados e um DVD e mais de oitocentas canções gravadas por ele mesmo e pelos melhores artistas e conjuntos do pago. Foi presidente do IGTF e diretor do IEM. Como brilhante membro dos Cavaleiros da Paz já percorreu a cavalo países da América Latina e até da Europa.

Formado em jornalismo, não vai parar – outros desafios esperam o Piá Benício. Durante três anos apresentou o programa Fandango na TV Educativa. Foi ator de TV (O tempo e o Vento e a Casa das Sete Mulheres da TV Globo). Como compositor/intérprete venceu festivais como a Califórnia de Uruguaiana, o Musicanto de Santa Rosa, a Seara de Carazinho, a Lagoa da Canção de Encantado, a Barranca de São Borja, a Tafona de Osório, a Moenda de Santo Antonio da Patrulha, o Ronco do Bugio de São Franscico de Paula, a Sapecada de Lages, a Coxilha de Cruz Alta, o Serra Canto e Cantiga de Veranópolis e outros. È autor de canções antológicas como Eu Sou do Sul, Cardeais, o Hino dos Cavaleiros da Paz, Ronda de Tropa, Pé na Estrada e muitos sucessos gravados e regravados por vários artistas.

É filho muito mimoso de dona Ártemis. E do seu Nélson e irmão da Firmina e do Mário.
O Piá é inquieto, inteligente, amigo de seus amigos e adorado pelas mulheres.
Durante muitos anos ele e o Leopoldo Rassier dividiam o título de maiores conquistadores do gauchismo. Vai continuar estudando, pesquisando, inventando novos rumos. Nunca fumou nem bebeu, embora conviva pacificamente com viciados, com santos e prostitutas, que respeita e procura entender.


O Elton Saldanha é um dos meus maiores amigos e eu costumo dizer que ele é meu irmão mais moço, pelo qual tenho um grande carinho e uma enorme admiração.

Antonio Augusto Fagundes

 
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